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Reportaje a Paulinho Brum
por Fernando Lema

Paulinho Brum

1- ¿Como fue que llegaste al bridge y porque te apasionaste con el?

Sou um bridgista de pai e mãe. Quem me ensinou foi meu pai, e como havia três garotos com a idade boa para aprender, conseguimos formar uma mesa em casa. Eu aprendi com uns 13 anos de idade, e apareci no clube pela primeira vez aos 14. Fiz 15 anos durante o meu primeiro campeonato brasileiro.

O que mais me apaixona no bridge é o conjunto da obra. Existem milhares de enfoques no bridge, e todos eles são fascinantes. Ganhar, por exemplo, é bom demais! O lado humano, o lado técnico, o lado psicológico (de mesa), as personalidades envolvidas, golpes e contragolpes... é inesgotável.
 
2- a) ¿Que recuerdas de tus comienzos?

Durante o meu primeiro ano de bridge, a minha rotina era simples. Eu ia ao clube de bridge todos os dias da semana, e jogava com quem aparecesse na minha frente, sem qualquer discriminação. Nos dias em que não há torneio vespertino (terças e quintas), eu ficava assistindo ao rodado. Chegando em casa, lia todos os livros de bridge que eu encontrava. E, nas terças e quintas à noite, eu jogava bridge, com meus irmãos ou com meu pai. Tive muita sorte em ter tanto material disponível (livros), assim como companheiros e um bom professor.

b) ¿Quienes fueron tus primeros compañeros?

Meu primeiro parceiro duradouro foi meu pai; antes dele, joguei um pouco com minha mãe, ou com meus irmãos, mas sem fazer uma dupla. Depois de meu pai, destaco o Zé Barbosa, que me ensinou muitíssimo. Sou discípulo do Zé até hoje. Muitos outros jogadores me influenciaram naquela época, por conversas, parcerias de menor duração, e participação na mesma equipe... Sergio Barbosa, Camacho, Álcio, entre outros.

3- ¿Que Libros de Bridge, que te hayan inspirado, recomendarías?

São muitos! Depende do nível do leitor, claro. Prefiro falar de autores. Reese (incomparável, independente do nível do leitor – o que é uma proeza...) e Kelsey são excelentes, por razões diferentes. O Kantar tem livros muito bons também. Um livro pouco conhecido, de um autor que não escreveu muito, é “Creative Card Play”, de James Kauder, que merece uma olhada cuidadosa. Gosto também de “Play Cards with Tim Seres”, de Michael Courtney.

4- Fuera del Bridge, ¿Cuales son tus autores preferidos?

De novo, muitos! Vamos lá: Tolkien, Dostoievsky, em ficção; em não-ficção, leio muita filosofia e história; para passar o tempo, gosto das histórias de detetive do Rex Stout e de Calvin e Haroldo (história em quadrinhos). Isso é o que me veio à cabeça agora; eu leio muito, certamente esqueci vários nomes.

5) Formaste parte del equipo oficial libre de Brasil, que compitio en el ultimo mundial de Shangai...

a) ¿Cuales fueron los jugadores que mas te impresionaron, y porque?

Os italianos, porque conseguem ser profissionais sem deixar de ser latinos! Eu acho que bom humor é fundamental em qualquer coisa, mas principalmente em bridge. Com toda a surpresa da derrota deles para a África do Sul, eles me passaram esta impressão sempre que conversei com eles.

b) ¿Tienes alguna mano o anecdota que nos quieras referir de alguno de ellos?

Sobre este tema do profissionalismo dos italianos, talvez o mais impressionante foi ver o Fantoni explicando pacientemente o desentendimento de sua dupla na mão do 7 Copas, no último segmento das quartas-de-final contra a África do Sul. Seria de se esperar que ele quisesse atirar alguém pela janela, mas ele conversou conosco sobre isso sem qualquer problema. Tiro o meu pequeno chapéu pra ele.

c) ¿Quien es para vos tu compañero ideal?

O melhor jogador com quem eu já joguei foi o Marcelo Branco – esta pergunta é fácil, se é isso o que você quis dizer. O meu parceiro atual, o Beto Barbosa, é muito bom em um outro aspecto – estamos desenvolvendo um sistema que está ficando muito bom. O meu parceiro ideal, portanto, seria o Beto Barbosa jogando tão bem como o Marcelo, ou o Marcelo querendo desenvolver um sistema com a mesma vontade do Beto... ou seja, parece que o parceiro ideal, assim como a mulher ideal, não existe.

Parceiros e mulheres ideais que me perdoem, mas existir é fundamental... de modo que fico bastante satisfeito com os parceiros e mulheres que existem.

6) ¿Cual es tu actividad profesional?

Sou biólogo por formação, e trabalho em uma empresa de energia, cuidando da qualidade de água dos reservatórios hidrelétricos da empresa. Viajo bastante, conheço lugares bem diferentes no Brasil e no exterior, é um trabalho muito bom – inclusive porque me permite continuar jogando bridge!

7) ¿Consideras que el bridge fue una influencia positiva en tu vida? y ¿porque?

Sim, um sim muito claro. Principalmente por causa das pessoas. Gosto muito dos bridgistas (todos eles, não estou brigado com ninguém...). O jogo em si é fantástico, pelas razões já explicadas acima; é um jogo inesgotável.

8) ¿Ocupas algún cargo dentro de la CBB? y ¿Que significa esto?

Sou Diretor Técnico da Federação, responsável pela elaboração dos regulamentos, pela parte técnica dos torneios nacionais, indicação dos comitês de apelação nos campeonatos nacionais, etc. Isso significa também que a WBF conversa comigo em assuntos de lei e coisas parecidas.

9) ¿Cual es la anécdota mas divertida que recuerdas dentro del bridge?

Essa deve ser a pergunta mais difícil da entrevista. Dá pra escrever um livro só com histórias divertidas no bridge; ocorrem estórias divertidas até em aula de principiantes. O mestre neste departamento foi o Sergio Barbosa, que criou tradições que duram até hoje -- por exemplo, a idéia de aplaudir o líder em um torneio de duplas antes da última sessão (para dar azar), que sempre faz sucesso. Dependendo dos jogadores, a dupla aplaudida pode ficar realmente incomodada (especialmente quando o aplauso é seguido por todos os jogadores do torneio, de pé, saudando os quase-vencedores...). O bridge rodado também é um depósito grande de boas estórias. Eu já caí 12 em 7ST dobrados por causa de um psíquico do parceiro (na verdade, foi ele quem carteou -- ainda bem!). Verdade seja dita, ele ficou tão envergonhado que pagou a diferença da mão.

Uma mão boa de rodado foi a seguinte: em Sul, eu tinha Axx AKQJ10xxxxx --- --- (claro que a mão era "goulash"; pra quem não conhece, isto é uma forma de embaralhar as mãos que frequentemente gera distribuições como essa), em primeira posição, vulnerável contra não. Se o meu naipe fosse espadas, talvez eu abrisse de 6 Espadas, mas no caso em questão (especialmente devido à vulnerabilidade) eu achei que o contrato final ia ser 7 Espadas dobradas pelo adversário, em defesa. A única coisa que eu podia fazer era tentar descobrir se o parceiro tinha 2 Ases, para talvez jogar 7ST... então, abri de 2 Copas (forte, pedindo Ases), que é uma abertura horrível, mas funcionou na nossa estória. Oeste marcou 5 Espadas, como esperado, meu parceiro marcou 5ST, Leste passou e a voz voltou para mim. Sem interferência, a resposta de 3ST a estas aberturas de 2 forte em "goulash" mostram dois Ases quaisquer; eu achei que o meu parceiro tinha improvisado a voz de 5ST para mostrar os 2 Ases. Mesmo assim, 7ST não seria muito seguro, especialmente se não saírem em naipe pobre. Marquei 6 Copas, para tentar cartear a mão em 7 Copas. Oeste marcou 6 Espadas, passo, passo, e eu marquei 7 Copas. Oeste não caiu nessa e marcou 7 Espadas. Agora, eu poderia dobrar 7 Espadas (e derrubar umas duas ou três -- me parecia claro que Oeste tinha dez, ou pelo menos nove, espadas), ou marcar 7ST. Foi o que fiz -- 7ST. Todos passaram, e Oeste saiu ouros! A mesa caiu com uma distribuição 0-1-7-5 e os dois Ases, de modo que o carteio acabou por aí. 7ST feitos.

Todos acharam isso bastante natural (menos eu -- já percebeu por que?), e acabou a partida. Oeste tinha 10-0-3-0, e perdia apenas dois Ases no carteio de 7 Espadas, com 100 de honras, ou seja, se eu dobrasse 7 Espadas anotaria apenas 200 na minha coluna ao invés de 2420. As mãos foram correndo, Oeste saiu mais cedo e foi para casa, e o jogo continuou. Mais ou menos uma hora depois, toca o telefone, e o garçom atende. Diz que Oeste quer falar comigo, e eu começo a rir. Ninguém entende nada, e eu peço para o garçom perguntar o que ele quer. O garçom diz que ele quer anular a mão do 7ST, e eu estou rindo muito agora, e os outros continuam sem entender nada. E eu conto então o que aconteceu -- Oeste saiu fora de vez! Meu parceiro tinha marcado 5ST... Ele ENTREGOU o jogo na saída, saindo fora de vez, e queria anular a mão; e queria anular a mão de casa, pelo telefone! Todo mundo (inclusive o Leste da mão original, que pagou 2420 ao invés de derrubar -- mas será que ele teria saído copas?) começou a gargalhar, o garçom ria também, e todos disseram a Oeste que não dava para anular a mão...